Nota de Conjuntura (ou Manifesto da Gororoba Geral), de Max D'Carmo

É tapa na cara do bando

Eta país do pé virado

São dois pra lá, dois pra cá

Mais dois pra lá, mais dois pra cá

São João-ninguém, seu José ninguém

Dona Maria da vida mole (quem foi que disse hein)

Pedra dura

Tanto sofre

Até que…

Silva.

Pobre tupiniqueen

Triste José Maria

Assolado com nó na garganta e agora

Nas manchetes dos jornais

E agora? Nas manchetes dos jornais!

Os reclames do plim plim.

Os dilemas — as maracutaias

Os pandeiros — o silêncio dos lares

Será?

Não há nem milésimos para respirar

Tá tudo lotado lá fora

Cartão lotado no celular

Bora pra onde?

A novela tarda que é pracabá, viu?

Um centavo no bolso furado,

Onde mora uma piada sem graça?

Vamos rir, mas chega de “mimimi”

Um palhaço, assume o trono

Olha pra todo mundo e diz?

Quié que foi ein? Nunca viu?

Hein?

Ergue-se a festa franzina, a testa franzida, a fresta da vida, e se mais valia, não vale mais.

Max D'Carmo é jornalista e músico, gonzo e macunaíma como a natureza quis. Paraense nascido em Ananindeua, escritor de crônicas, capoeira, brincante da cultura popular. Reside em São Paulo. Acompanhe o trabalho do autor.

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